Collecting Collections and Concepts

CCC_Collecting Collections and Concepts,
uma viagem iconoclasta por coleções de coisas em forma de assim
www.cccguimaraes2012.com

O projecto Collecting Collections and Concepts tem como ponto de partida a ideia de colecção, termo operativo para definir um conjunto de objectos, obras, que reunidos constituem as designadas colecções.
A formalização desta ideia num projecto expositivo passa então pela utilização de obras que integram algumas das colecções institucionais públicas e privadas portuguesas como a Fundação de Serralves, a colecção Caixa Geral de Depósitos, a colecção de fotografia BESart – Colecção Banco Espírito Santo, a colecção do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, a colecção da Fundação EDP,  a colecção do Museu do Neo-Realismo, entre outras.
Co-habitando com as obras recolhidas nas colecções existentes esteve um importante conjunto de novas obras produzidas por artistas portugueses e internacionais para esta exposição.
Com inauguração em Março de 2012, a exposição teve lugar num antigo espaço industrial, a fábrica têxtil Asa. A zona ocupada por este projecto tem aproximadamente 2800 m2, numa estrutura industrial reabilitada, que recebeu várias outras exposições e eventos da programação da Capital Europeia da Cultura. A arquitectura do espaço foi adaptada pela produção deste projecto com a colaboração das estruturas associadas à gestão da CEC Guimarães 2012, de forma a receber este projecto expositivo, que se desenrolou em vários departamentos articulados por temáticas associadas aos conceitos referenciados no título do projecto collecting_collections_concepts.
A narrativa expositiva questionou os modos de exposição mais tradicionais, esquivando-se à especialização museológica e aproximando este projecto do cabinet d’amateur, criando uma desconcertante articulação conceptual subjacente ao acto de coleccionar, acumular e arquivar objectos e obras de arte.
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As obras “apropriadas” das colecções funcionaram em diálogo com os novos trabalhos produzidos. Este conjunto extenso de obras eruditas coexistiu com colecções amadoras e seus objectos dessacralizados, exemplares da produção massificada, industrial e pós-fordista.
Nestas ruinas reactivadas foi instalado um dispositivo expositivo que utiliza materiais de construção civil estandardizados e precários, mantendo as características de um espaço com memória e passado industrial. Materiais low tech correspondendo a uma exposição low budget. Concretizando esta posição não se apagou a presença da antiga estrutura fabril, razão pela qual certas características foram conservadas e certos equipamentos e objectos estiveram presentes na montagem final da exposição, gerando espaços de ressonância com a questão laboral, fabricação, manufactura e distribuição. A memória individual intercepta-se com a memória colectiva. O display da exposição funcionou de forma orgânica, através de uma rede organizacional tentacular, que foi sendo distribuída ao longo do espaço de exposição, ocupando uma área expositiva com múltiplos núcleos temáticos.
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A entrada na exposição acontecia de forma confrontacional com um trabalho de Harun Farocki, “Workers Leaving the Factory”, onde se reclamava a reencenação da imagem iniciática do filme dos irmãos Lumière. Numa sucessão de excertos de filmes apresenta-nos operários a abandonarem as fábricas, no sentido literal (fim de um dia de trabalho) e simbólico (fecho das unidades fabris). Simultaneamente, os visitantes estavam a  entrar num espaço reconvertido, agora cultural, que visitam durante o seu tempo de lazer.
A exposição será acompanhada por um catálogo/livro que não só registará o trabalho expositivo apresentado, como também terá uma importante componente de textos redigidos por especialistas de diversas áreas – sociologia, antropologia, galeristas e coleccionadores de arte, que irão contribuir com depoimentos sobre esta temática. Este livro deverá constituir-se como uma enciclopédia visual e escrita tendo como base de trabalho uma ideia expandida de colecção.
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